Justiça Ambiental em Tempos de Pandemia

Mariana Alves (IH/UFRJ)

Patrick Benaion (IH/UFRJ)

A pandemia do COVID-19 e seus desafios vêm tornando as desigualdades socioambientais existentes no Brasil e no mundo ainda mais evidente, trazendo à tona a necessidade de realizar novas reflexões acerca da nossa realidade. Dessa maneira, a possibilidade de se refletir sobre a (In)Justiça Ambiental revela um potencial profícuo nos mais diversos sentidos – acadêmico, social, político – convidando-nos a indagar nosso panorama nacional sob uma outra perspectiva. Cabe, portanto, uma breve explicação sobre ao que o termo remete e demonstrar como este se relaciona a forma desigual com que a população brasileira enfrenta o vírus, revelando seu potencial de análise interpretativa do cenário atual.

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Reflexões sobre Ecofascismo em tempos de Pandemia

Natascha Otoya (Georgetown University)

Muita coisa mudou em 2020. A propagação global da pandemia causada pelo novo Coronavírus criou uma realidade de distanciamento social, confinamento doméstico e uso massivo de máscaras. Aprendemos a não tocar no rosto, relembramos a importância de lavar as mãos com frequência e inventamos maneiras de nos cumprimentar, já que beijos, abraços e apertos de mão estão temporariamente banidos. Junto com essas medidas de higiene, outras formas de contenção do vírus foram desenvolvidas ao redor do mundo. Rastreamento de contato, aplicativos de controle de isolamento social, divulgação de dados de pessoas infectadas, monitoramento com drones, marcação de residências cujas famílias têm alguém doente de Covid-19, restrições de viagens aéreas e terrestres, limitação de movimentos dentro das cidades de dos bairros, aprovação de medidas sem consulta ou voto, suspensão de limites e punições para ações governamentais de emergência[1].

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Como a circulação das coisas afeta nossa percepção de tempo? uma meditação pós-pandêmica.

Bruno Capilé

A circulação das coisas sempre foi tema dos assuntos da humanidade. As tropas de qualquer exército precisam saber circular com rapidez, eficiência e segurança. As informações necessitam chegar ao seu destinatário, se possível, sem modificações ou interrupções. O modo como queremos e como conseguimos a circulação das coisas está fortemente associado às expressões culturais de grupos sociais distintos em tempos diversos. Ela afeta profundamente a maneira como percebemos e nos relacionamos com o próprio tempo. No início do século XXI (em particular neste encontro da globalização, neoliberalismo e a pandemia do covid-19), estamos presenciando uma possível transformação na maneira como percebemos a circulação das coisas, sejam pessoas, produtos ou informações digitais. 

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Como a pandemia do coronavírus me fez refletir sobre o consumo de carne e a libertação animal

Bruno Capilé

Enquanto sigo as diretrizes sanitárias e confinamento para contribuir coletivamente para o controle da contenção da pandemia do coronavírus e sua doença (COVID-19), uma reflexão me veio à mente: como posso contribuir para evitar futuras pandemias respiratórias. Sim, é uma questão de tempo até ocorrer a próxima. Concluirei mais adiante que a diminuição ou o fim do consumo de carne animal poderá salvar muitas vidas humanas num futuro próximo. Ou seja, nossas vidas estão intimamente ligadas às vidas de outras espécies de maneiras que nem imaginamos.

Por ser uma relação direta da ação da espécie humana no planeta, vamos dar uma visão mais evolutiva e ecológica deste episódio pelo qual estamos passando. O vírus, assim como todos os seres vivos, também se incluem na lógica evolutiva da seleção natural. E assim explora as brechas em nossa sociedade moderna, e em nossos comportamentos.

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