3º Congresso Mundial de História Ambiental

O evento se deu na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Florianópolis de 22 a 29 de julho de 2019. O encontro com centenas de historiadores ambientais de todas as partes do mundo teve a presença maciça de representantes do LabHeN.

Destaques

Gabriel Paes recebeu prêmio pela apresentação de seu trabalho Ecological and Historical aspects of the reforestation carried out in the Tijuca Forest, RJ, Brazil in the 19th century.

A mesa Rivers and Environmental History Around the World do Coletivo de Historiadores Ambientais de Rios Latino Americanos (CHARLA) teve a apresentação de Bruno Capilé e Gabriel Olivieira.

O LabHeN no congresso

  • Bruno Capilé
    • A city and its river: The need to manage adjacent ecosystems for the urban metabolism in Rio de Janeiro (19th-20th) – Rivers and Environmental History Around the World.
  • Gabriel Paes
    • Ecological and Historical aspects of the reforestation carried out in the Tijuca Forest, RJ, Brazil in the 19th century – Historical Geography and Historical Ecology of the Brazilian Atlantic Forest: From Theory to Practice, Linking Space and Time
  • Gabriel Oliveira
    • The river of national unity: the São Francisco river and the Brazil Empire in the 19th Century – Rivers and Environmental History Around the World – Part 2
    • The atmosphere as a field of culture: circulation of knowledge and the climate readings in the sertão of Brazil by Thomaz Pompeu (1846-1859) – Climatological History and Climate History in The Americas, 16th to 20th centuries (part 1)
  • Jorge Olea
    • Socioterritorial changes and Chilean Agrarian Reform: environmental history of a revolution (1955-1980) – The Nature State 1: Rethinking the State through the Environment
  • José Augusto Pádua
    • Biomes, Frontiers and History in Brazil: The Amazon, the Atlantic Rainforest, the Cerrado and the Caatinga (mesa redonda)
    • The causes and consequences of the Great Acceleration in Brazil – The Great Acceleration in a Comparative Perspective
  • Lise Sedrez
    • Experiences on Urban Environmental History: Methodologies, Uses and Goals in a Multidisciplinary World (mesa redonda)
    • The Environmental History of the Recent Past: A Roundtable on Environmental Politics and Policy in the 21st Century (mesa redonda)
    • Brazilian Environmental History and Global Convergences (mesa redonda)
    • Water and Megacities in the 20th Century: Cases from the Americas (comentadora)
  • Natascha Otoya
    • The development of oil geology in Brazil from a postcolonial perspective – Peripheral Socio-Environmental Transformations
  • Valéria  Fernandes
    • The plague of the locust in South America: Argentina, Brazil and Uruguay (1890-1950) – Environmental Agricultural History and its Socio-Ecological Negotiations

Encontro LabHeN – 13/06/2019

História ambiental e história regional

 Arthur Soffiati Netto, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense

  1. Região-mundo-ambiente
  2. Ecorregião de São Tomé
  3. Holoceno
  4. História das relações materiais: sociedade-natureza-representações
  5. Fontes:
    • Natureza nativa (original) e natureza transformada
    • Fontes orais
    • Fontes iconográficas (Cartografia, desenho, fotografia, filme)
    • Documentos escritos
  6. Transdisciplinaridade

Encontro LabHeN – 06/06/2019

Agro é Tudo: A Conservação no Brasil e a Modernização da Agricultura Pós-Abolição

Christopher Lesser, doutorando na UC Berkeley

Em 2018 o Supremo Tribunal Federal definiu a constitucionalidade das modificações ao código florestal inscritas na Lei 12651 de 2012. A orientação da nova legislação revela claramente a influencia do agronegócio no processo legislativo. Mas a decisão a favor do novo código no STF sugere como a legislação florestal brasileira estava já desde antes estreitamente vinculada a modernização agrícola. O sucesso dessas políticas na emergência duma agricultura intensiva e atrelada aos mercados internacionais é inquestionável. Mas o código florestal também associa a modernização agrícola á conservação florestal. Esta apresentação questiona essas associações estudando a sócio-ecologia da Fazenda Experimental Santa Mônica, uma grande fazenda cafeeira do Vale do Paraíba que foi transformada num importante centro de pesquisa dedicada a modernização agrícola na virada do século XX. Em 2002 uma grande área dessa fazenda foi cedida ao INEA para formar o Parque Estadual Serra da Concórdia. Utilizando arquivos governamentais, historias orais, e testemunhos botânicos e químicos sugiro que os remanescentes da Mata Atlântica hoje protegidos associam-se a roças de subsistência mantidas por famílias morando dentro da Fazenda desde o século XIX.

Encontro LabHeN – 23/05/2019

A Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN): História das áreas protegidas e das espécies ameaçadas de extinção no Brasil

José Luiz de Andrade Franco – Professor Associado do Departamento de História da Universidade de Brasília

Alyne  dos Santos Gonçalves – bolsista de pós-doutorado da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES), no Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA).

A presente apresentação trata da história da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), criada em 1958, e sobre as suas estratégias de atuação.  Com a FBCN o discurso e as práticas relacionadas com a conservação da natureza no Brasil se estruturam em torno de alguns eixos principais, tais como uso dos recursos naturais, educação ambiental, poluição, áreas protegidas e espécies ameaçadas de extinção. Principalmente, a partir de 1966, quando a FBCN foi reestruturada e começou a editar o seu Boletim, ela se configurou como ponto de convergência em torno da ideia de conservação da natureza.
O foco da apresentação será nas elaborações conceituais e ações promovidas pela FBCN para a criação e manejo de áreas protegidas e para o monitoramento e proteção de espécies da fauna e da flora brasileiras ameaçadas de extinção. Trata-se de compreender, também, como estas duas temáticas foram, ao longo do tempo, se constituindo como os principais temas da FBCN.
          Para tanto, apresentamos, como estudo de caso, algumas articulações políticas protagonizadas por um dos membros da FBCN: o naturalista capixaba Augusto Ruschi (1915-1986). A partir das fontes documentais encontradas no Arquivo Augusto Ruschi, descortinamos aspectos da rede institucional mobilizada através dessa ONG, como parte da estratégia de proteção de áreas naturais contra investidas empresariais.
      Finalizamos com uma breve apresentação do Programa de Capacitação Institucional do Instituto Nacional da Mata Atlântica (PCI – INMA/MCTIC), recém formatado para o tratamento arquivístico de acervos pessoais de outros cientistas e militantes ligados à FBCN, cujo objetivo principal é a organização de novas fontes de pesquisa para a história da conservação da natureza na Brasil e no mundo.

Encontro LabHeN – 16/05/2019

Itaipu ou Sete Quedas: uma história ambiental do planejamento da hidrelétrica mais produtiva do mundo, 1962-1982

 Matthew Johnson,  doutorando em história ambiental na Universidade de Georgetown em Washington D.C. (EUA)

No dia 25 de outubro, 1982, o reservatório da hidrelétrica de Itaipu cobriu as cachoeiras de Sete Quedas, uma maravilha natural na fronteira de Brasil e Paraguai. Sete Quedas era a maior cachoeira no mundo medido por volume e em 1961 o governo brasileiro criou um parque nacional para preservar as famosas quedas. Em 1973, os governos militares de Brasil e Paraguai decidiram construir Itaipu—a hidrelétrica mais produtiva do mundo—cuja construção ocasionou a destruição do amado parque nacional. Os governos militares que planejaram Itaipu lamentaram a perda de Sete Quedas, mas argumentaram que foi um sacrifício necessário para o progresso material. Foi Itaipu ou Sete Quedas: progresso material ou preservação natural. Historiadores que escreverem sobre Itaipu não tinham questionado esta narrativa, e até aqueles estudando o impacto ambiental da barragem prestaram pouca atenção aos debates durante na fase de planejamento e o papel da preservação de natureza na escolha do local da barragem. 
            A escolha não foi restrita a Itaipu ou Sete Quedas. Otávio Marcondes Ferraz, lenda da engenharia Brasileira e anterior presidente de Eletrobras, desenhou uma barragem a montante das quedas que as teria salvo. Porém, o plano dele foi descartado imediatamente porque foi politicamente inviável. O desenho incluia um canal que teria desviado o Rio Paraná no lado Brasileiro da fronteira, trazendo água a uma casa de força no território brasileiro, o que foi inaceitável aos vizinhos Paraguaios. Esta apresentação trata da história do plano de Marcondes Ferraz e o papel da preservação de natureza nos debates sobre a escolha do site da barragem que resultaram na construção de Itaipu e na inundação de Sete Quedas.

Encontro LabHeN – 09/05/2019

“Eu não dei o meu dinheiro para inglês nenhum”: o ideal de nação e a seca de 1825 no norte do Brasil

 Gabriel Pereira, doutorando do PPGHIS/UFRJ, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte 

A década de 1820 foi muito importante para a edificação do Estado monárquico brasileiro. Desde as disputas em torno das definições de aparatos políticos e institucionais até guerras de fato, como foi o caso da Confederação do Equador ou da Cisplatina, aquele momento inicial do Império também viu bem de perto o desafio de como lidar com a noção de “desastre” e de “socorro” a partir da seca no norte. Este artigo analisa a importância dessa intempérie no jogo político de definições do Império e de conformação de um lugar para aquela porção nortista, tão distante geográfica e politicamente da Corte no Rio de Janeiro. Com base em documentos como os anais parlamentares do Império, esta pesquisa busca ampliar a discussão historiográfica que considera a seca como tema relevante somente a partir de 1877 e compreender como, ante o desafio de difusão da ordem monárquica, o flagelo comovente em torno da escassez de chuvas tornou-se uma arma política muito peculiar naquela época, tanto ao governo imperial como também a outros grupos espalhados pelo Brasil.

Encontro LabHeN – 02/05/2019

Favela e cidade: a visibilidade da favela do Morro da Babilônia pelos jornais (1900-1970)

Natasha Barbosa, mestranda do PPGHIS/UFRJ

Será apresentada uma reflexão sobre a construção dos tipos de visibilidade da favela do Morro da Babilônia pelas páginas de três jornais, O Paiz (1900-1934), Correio da Manhã (1901-1974) e O Globo (1925-2015).  A argumentação deste capítulo pondera a visibilidade da favela do Morro da Babilônia em sua relação com a cidade formal. Entendendo que as imagens da favela e da cidade se constroem em oposição. A cidade contra a “desordem favelada”, e a favela por falta de um projeto de cidade inclusivo. Porém, ainda sim, partes do mesmo todo urbano. 

Defesa de tese de Giselle Osorio – 16/04/2019 09hs

Entre planos e controvérsias: a produção socionatural de uma área protegida do norte de Bogotá.

Na terça feira 16 de abril de 2019, a Giselle Osorio defenderá sua tese de doutorado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ) às 09hs da manhã. Membra do Laboratório, a tese da colombiana analisou as ideias e práticas do planejamento urbano na Reserva Florestal Regional Produtora do Norte de Bogotá Thomas Van der Hammen (RFTvdH).

A defesa ocorrerá na Sala F 206 do Prédio de Letras da UFRJ (Fundão) às 09 hs do dia 16/04/2019.

Todes estão convidades!!